Mostrando postagens com marcador Poluição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poluição. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima


Por Teresa Firmino

Qual vai ser o impacto das alterações climáticas na árvore da vida, no final do século XXI? Pela primeira vez, um artigo, publicado amanhã, quinta-feira, pela equipa do biólogo Miguel Araújo na revista Nature, avaliou os efeitos das alterações do clima na árvore da vida. A Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa, desta vez pela mão humana, se não forem travadas as emissões de gases com efeito de estufa.

Já houve cinco momentos de desaparecimento maciço de biodiversidade, causados por fenómenos geológicos catastróficos — como a colisão de um asteróide com a Terra há 65 milhões de anos, que ficou famosa porque, entre os desaparecidos, estavam os dinossauros. Agora, devido às alterações do clima pela acção humana, há a tese de que a Terra estará a viver a sexta extinção em massa.

Mas uma vaga de desaparecimentos tem de cumprir quatro condições para ser uma extinção em massa, explica Miguel Araújo, coordenador do pólo na Universidade de Évora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos: tem de ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; num período de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um leque vasto de grupos biológicos.

Por exemplo, se as extinções afectarem muitas espécies só de algumas partes da árvore da vida, as extinções serão dramáticas, com impacto nos ecossistemas, mas não será a sexta extinção em massa, diz Araújo, titular da cátedra Rui Nabeiro em Biodiversidade, a primeira criada em Portugal com fundos privados (cem mil euros anuais, por cinco anos).

À procura de resposta, a equipa do biólogo, que inclui Wilfried Thuiller, entre outros cientistas da Universidade Joseph Fourier, em França, reconstruiu as relações evolutivas de grande número de espécies de aves, mamíferos e plantas, estudando o caso da Europa. Nestas relações evolutivas, a equipa projectou depois as conclusões para o risco de extinção das espécies. Teve em conta quatro cenários de alterações climáticas, consoante estimativas distintas de emissões de gases de estufa, até 2080, e usando modelos que reproduzem o clima da Terra.

Para estudar como as alterações climáticas actuais poderiam afectar a evolução da árvore da vida, foi ainda necessário distinguir as extinções causadas pelas mudanças do clima das que ocorreriam ao acaso. Para tal, a equipa removeu aleatoriamente “ramos” exteriores da actual árvore da vida, para ver até que ponto as extinções modeladas na sequência das alterações climáticas seriam diferentes de aleatórias. “Se não diferisse — é o nosso resultado —, estaríamos perante um padrão de extinções não selectivo, que afectaria a totalidade da árvore”, explica Araújo, também do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. “As alterações climáticas previstas afectam os ramos da vida de forma uniforme, tornando-os menos densos e farfalhudos com o tempo”, diz.

“Outros estudos têm demonstrado que as ameaças humanas afectam determinados ramos concretos da árvore da vida, por exemplo espécies grandes, especializadas em determinados tipos de comida ou habitats, ou anfíbios”, diz. “O nosso artigo demonstra que as alterações climáticas terão tendência a afectar todos os ramos da árvore.”

O estudo não permite dizer, porém, qual o número de espécies que irá desaparecer. E a estes impactos há que juntar outros de origem humana, como a destruição de habitats, a caça e pesca excessivas, a propagação de espécies invasoras e de agentes patogénicos, que afectam mais uns troncos da árvore do que outros. “Como os impactos se adicionam uns aos outros, o futuro poderá reservar-nos um aumento generalizado de espécies ameaçadas que afectará quase todos os ramos da árvore da vida.”

Portanto, as alterações climáticas poderão alterar as contas actuais sobre a extinção das espécies. A Terra está então viver a sexta extinção em massa? “No caso de haver impactes de grande magnitude que afectem um grande número de espécies, o padrão de extinções modelado por nós assemelha-se ao que se esperaria numa extinção em massa, já que estas não afectaram ramos particulares da árvore da vida, mas a sua quase totalidade”, responde Miguel Araújo.

Perdas no Sul da Europa

Outra conclusão é que as espécies do Sul da Europa, que perde biodiversidade, deverão deslocar-se para o Norte. Já hoje, aliás, as alterações do clima estão a empurrar mais para norte espécies de aves e borboletas.

É também provável que espécies do Norte de África entrem no Sul da Europa — “o que já está a verificar-se com algumas aves e insectos”. Os recém-chegados tanto podem trazer mais biodiversidade, como acentuar a perda de espécies por competição ou novas doenças. “É difícil prever as consequências destas colonizações. Mas, havendo um mar entre os dois continentes, só espécies capazes de o atravessar podem colonizar a margem Norte, o que limita a diversidade de colonizadores.”

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Clima não é de Guerra

Por Dr.  José Eustáquio Diniz Alves

As mudanças climáticas globais ameaçam a humanidade. O astrofísico Stephen Hawking afirmou, recentemente, que a raça humana vai desaparecer para sempre, caso não inicie a emigração da Terra e a colonização do espaço sideral nos próximos dois séculos. Hawking considera que o ser humano está destruindo o Planeta e o aquecimento global é uma ameaça real que seria impossível de ser detida, em decorrência do padrão de produção e consumo do mundo. Para não ter o mesmo destino dos dinossauros, os humanos precisariam procurar um novo lar.

Porém, devemos pensar em mudar o nosso modo de vida na Terra antes de levar os nossos equívocos para outros planetas. As guerras e o militarismo são sem dúvida as atividades mais poluidoras, improdutivas e desnecessárias para um futuro saudável. Grande parte da poluição, da degradação ambiental e da emissão de gazes do efeito estufa vêm do complexo industrial-militar, da manutenção de exercícios, marinha e aeronáutica e das guerras espalhadas pelo mundo. O ser humano perde vidas, perde tempo e perde oxigênio com as guerras, o terrorismo e o arsenal militar. A vida na Terra teria muito a ganhar com a paz e a desmilitarização do mundo.
Segundo dados divulgados, em 02 de junho de 2010, pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), houve um aumento da despesa militar mundial, em 2009, apesar da crise financeira . As despesas militares de todo o mundo, em 2009, totalizaram cerca de US$ 1.531.000.000.000 (um trilhão e quinhentos e trinta e um bilhões de dólares). Isto representou um aumento de 5,9% em termos reais em relação a 2008 e um aumento de 49% desde 2000.

Toda esta fortuna gasta em atividades improdutivas e de destruição poderia ser redirecionada para mudar a matriz energética do mundo, para mitigar e adaptar os efeitos do aquecimento global e para combater a fome e melhorar a qualidade de vida dos seres humanos e dos demais seres vivos da Terra. A metade destes gastos militares (765 bilhões de dólares por ano) já seria suficiente para promover a transição da economia de alto-carbono para a de baixo-carbono.

Os gastos militares e as despesas de manutenção das forças policiais nacionais são altamente poluidoras e apenas agravam os problemas do aquecimento global. Se estes recursos gastos em destruições e mortes fossem utilizados para mudar o padrão de produção e consumo do mundo, com certeza a humanidade poderia investir na defesa da biodiversidade, na melhoria da educação e no combate às situações de pobreza e vulnerabilidade da população mundial.

Enfim, para evitar as ameaçadoras mudanças climáticas é preciso dizer não à guerra e sim à paz. As guerras e as ações militares não fazem bem ao clima. O mundo precisa de amor generalizado pela vida de todos os seres do Planeta. O mundo não precisa de guerras. Só em clima de paz é possível encontrar soluções para os problemas ambientais da Terra. Como já disse John Lennon: All we are saying is give peace a chance (Tudo o que estamos dizendo é dê uma chance a paz)!

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; expressa seus pontos de vista em caráter pessoal. 
E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br