domingo, 15 de abril de 2012
Titanic: o que podemos aprender
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Darwin e a Mata Atlântica

Ao chegar a Salvador, ele definiu um passeio pela Mata Atlântica como delicioso para logo depois emendar: “ Delicioso em si, entretanto, é um termo fraco para expressar os sentimentos de um naturalista, que pela primeira vez, passeou sozinho em uma floresta brasileira. A elegância da coberta do solo, a novidade das plantas parasitas, a beleza das flores, o verde brilhante da folhagem, mas, sobretudo, a vegetação luxuriante me encheram de admiração. (...) Para uma pessoa que aprecia história natural, um dia como este gera um profundo prazer que não se pode ter esperança de vivenciar outra vez.”
Mas foi no Rio de Janeiro, onde passou três meses, que Darwin teve a sua maior vivência com a natureza brasileira. Hospedado na então baía de Botafogo, o naturalista se encantou com a paisagem do Rio. Pão de Açúcar, Corcovado, o recém-criado Jardim Botânico e a até então distante Pedra da Gávea foram as trilhas perfeitas para a observação das mais variadas espécies da Mata Atlântica.
Em uma curta viagem até Cabo Frio, ao norte do estado, Darwin passou pelo o que é hoje o Parque Estadual Serra da Tiririca, uma unidade de conservação fluminense entre Niterói e Maricá. Com 2.260 hectares, o parque protege áreas de Mata Atlântica, costões rochosos, restinga, mangue e banhados, e oferece a trilha Caminho Darwin.
No entanto Darwin ficaria chocado com a situação da Mata Atlântica atual, comparada com seu estado no século XIX. Recordista mundial em biodiversidade, a floresta também é uma das regiões mais ameaçadas do planeta. Da sua cobertura original, restam apenas 7,3% resultado de uma exploração não sustentável na região mais desenvolvida e ocupada do Brasil.
Confira alguns trechos do diário de bordo de Charles Darwin durante a sua passagem pelo Rio de Janeiro:
8 de Abril de 1832
“(...) quando passamos pelos bosques, tudo parecia imóvel, exceto as grandes e brilhantes borboletas, que batiam as asas preguiçosamente”.
14 de Abril de 1832
“A floresta é abundante em belezas; entre elas, samambaias que, embora não muito grandes, eram pela verde e brilhante folhagem e elegante curvatura de suas folhas, muito dignas de admiração”.
18 de Abril de 1832
“É fácil especificar os objetos de admiração nesses cenários grandiosos, mas não é possível oferecer uma ideia adequada das emoções que sentimos, entre maravilhados, surpresos e com sublime devoção, capazes de elevar a mente.”
As citações de Darwin reproduzidas nesse texto foram retiradas de:
Entendendo Darwin – A viagem a Bordo do HMS Beagle pela América do Sul
Apresentação Marcelo Gleiser / Editora Planeta, São Paulo, 2009-08-24
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Os “Rurbanos” contra a natureza
Por Augustine Berque
Filadélfia, outubro de 2000. Em uma palestra sobre o habitathumano, o geógrafo Brian J. L. Berry apresentou à platéia o termo “e-urbanização”. Sua reflexão abarcava basicamente os Estados Unidos. Na ocasião, Berry afirmou que a dispersão do habitat, já em curso, fora virtualmente induzida pela fusão perfeita entre a revolução na informática e o “mito norte-americano” – combinação do gosto pela novidade, do desejo de estar em contato com a natureza, do sentimento de existência de um destino e do crisol de onde sai, supostamente, a “nova raça” norte-americana.
Para Berry, essa movimentação já existia há tempos, mas foi freada pela era industrial mais pesada, que impôs a concentração, e voltou à tona apenas no processo de metropolização, quando os carros começaram a diluir os centros urbanos. A partir daí, as formas individuais de interação se desenvolveram e, apesar de cada vez mais estereotipadas, facilitaram as relações à distância, que implicavam no consumo do espaço ligado ao uso massivo do automóvel. Veio então o ciberespaço, concretizado pela e-urbanização, e a tendência foi ampliada: agora a internet permite morar em meio à natureza, encomendando tudo sem sair de casa, sem precisar ir ao trabalho ou fazer compras na cidade. A essência da “americanidade” era finalmente concretizada com a abolição da cidade!
Na Europa, esse modelo é tolhido, até certo ponto, pelo ideal da cidade. Quando lhe perguntaram o que corresponderia a tal ideal nos Estados Unidos, Berry respondeu, após alguns instantes, de reflexão: “a natureza”.
Na época, eu dava aula numa universidade japonesa em que se estudava as aplicações da informática ao habitat. Em uma discussão, meus alunos exprimiram ideais bastante próximos aos de Berry, mas com uma pequena diferença: para eles, a aspiração de morar junto à natureza se explicava pela permanência da mentalidade japonesa, que transcendia os avanços tecnológicos. Assim, tanto o mito norte-americano quanto seu equivalente nipônico coincidiam em encontrar na busca da natureza a expressão de sua respectiva autenticidade.
É impressionante que nenhum dos dois países perceba que a urbanização difusa, longe de beneficiar a natureza, tem como efeito principal o aumento da pressão humana sobre o ambiente. Ou seja, causa a destruição do próprio objeto de desejo. É o que ilustra a parábola do entregador de tofu: suponha uma cidade tradicional, bem compacta, antes da popularização do automóvel. Cem habitantes iam a pé comprar tofu na loja da esquina. Agora, tomemos o urbano difuso. Cada um desses cem habitantes mora numa casa individual, isolada no fim de uma estradinha, e encomenda o tofu pela internet. Para entregar a mercadoria passam a ser necessárias cem viagens motorizadas no fim de cem ruas. O que é mais ecológico, a cidadezinha ou o urbano difuso?
Apoiados em números, os urbanistas e os geógrafos provaram que um habitat disperso é indiscutivelmente mais caro que uma cidade com população equivalente. A isso se contrapôs um argumento forte, fundado em pesquisas de opinião exemplarmente estáveis: três quartos da população queriam casas individuais. Uma afirmação surreal e impossível de se concretizar! Mesmo assim, o mercado tentou organizar a empreitada: no final do século XX, o urbano difuso se disseminou em todos os países ricos.
Como o fenômeno está diretamente ligado ao uso do automóvel [1], ele se manifestou precocemente nos Estados Unidos. Em 1964, o urbanista norte-americano Melvin Webber foi o primeiro a chamar a atenção para a mudança[2]: conforme sua tese, a cidade de antigamente, bem circunscrita e diferente do campo, deu lugar ao que ele chamou de “domínio urbano”.
Não se deve confundir essa forma de urbanização com a multiplicação das metrópoles, que ocorre nos países pobres (os ricos já haviam passado por esse processo de desenvolvimento). No urbano difuso, os habitantes são sociologicamente citadinos, não camponeses, mas o habitatque procuram é rural. Por isso eles fogem da cidade, estabelecendo um segundo domicílio ou um lar definitivo. Já nos países pobres é do campo que se foge, em busca da cidade.
Entre esses dois pólos teóricos não faltam situações intermediárias. Historicamente, a periferia precede o urbano difuso. A partir dessa etapa, a situação varia de país para país. Grosso modo, pode-se distinguir um tipo oceânico, no qual os ricos moram longe do centro, e um tipo continental, em que se verifica o contrário. O mundo anglo-saxão e o Japão são de tipo oceânico; a França, de tipo continental. Mais recentemente, o fenômeno complicou-se nas grandes cidades, com uma tendência ao aburguesamento dos centros, tornados inacessíveis à classe média pela especulação imobiliária [3]. Nos bairros centrais do Japão, por exemplo, a renovação urbana multiplica os manshon, prédios altíssimos em que os apartamentos são vendidos a preços igualmente elevados.
Nos países ricos, detecta-se uma tendência global à urbanização difusa do conjunto dos territórios à medida que uma população de tipo urbano tende a substituir as antigas camadas camponesas. E, seja qual for a razão conjuntural que leve à decisão de comprar um imóvel mais ou menos longe dos centros, a motivação mais generalizada desse movimento é o desejo de morar perto da natureza.
Claro, aquilo que um americano e um japonês médios entendem por “natureza” difere consideravelmente [4]. Depende dos ambientes e da história. No entanto, o fenômeno do urbano difuso manifesta uma convergência para modos de vida análogos. Mas por que as sociedades ricas passaram a idealizar esse modelo de habitação? (ler nesta edição)
Essa história se estende por mais de três milênios, desde as suas expressões mitológicas mais antigas até as motivações contemporâneas. E hoje chegou a um paradoxo insustentável: a busca da “natureza” como paisagem destrói seu próprio objeto, a natureza como ecossistemas e biosfera. Associada ao automóvel, a casa individual passou a ser a força motriz de um gênero de vida cuja desmesurada “pegada ecológica” [5] leva a um superconsumo dos recursos naturais, uma situação insustentável em longo prazo. O urbano difuso dilapida o capital ecológico da humanidade e nos leva, literalmente, ao suicídio.
[1] Para nos limitarmos à compra e venda de combustível, um estudo de Newman e Kenworthy comparando 32 cidades ricas, ultimamente muito citado na imprensa internacional (p. ex., Libération, 12-13 de janeiro de 2007, p. 34), mostra que esse consumo é inversamente proporcional à densidade: máximo em Houston, mínimo em Hong-Kong.
[2] Melvin Webber, L’Urbain sans lieu ni bornes [O urbano sem lugar nem limite], L’Aube, La Tour d’Aigues, 1996.
[3] François Ruffin, “Penser la ville pour que les riches y vivent heureux” [“Pensar a cidade para que os ricos vivam feliz”], Le Monde diplomatique, janeiro de 2007.
[4] Compare-se, por exemplo, Max Oelschlaeger, The idea of wilderness, from Prehistory to the Age of Ecology [“O ideal de regiões despovoadas, da Pré-história à Era da Ecologia], New Haven, Yale University Press, 1991, e Augustin Berque,Le Sauvage et l’artifice. Les Japonais devant la nature [O selvagem e o artifício. Os japoneses diante da naturaza], Paris, Gallimard, 1986.
[5] “Pegada ecológica”: extensão necessária à renovação, pelos ecossistemas, dos recursos que destruímos. Atualmente, a “pegada ecológica” da humanidade é superior a um terço da biocapacidade da Terra.
Fonte: Jornal Le Monde – http://diplo.uol.com.br/
sábado, 5 de setembro de 2009
Da História Ambiental à Consciência Ecológica

As provas empíricas de uma realidade atroz, a de uma crise ambiental em proporções catastróficas, estão por todas as partes, é neste aspecto que as ciências humanas e naturais são desafiadas a provar seu valor e justificar suas eficiências enquanto ramos da produção do conhecimento humano.
Após a segunda Grande Guerra, houve um gradativo crescimento da sociedade de consumo na América do Norte e na Europa, fazendo com que aumentasse a pressão sobre os recursos naturais do planeta; os debates ambientais passam ser calorosos e surgem novos paradigmas. Como uma disciplina na qual seu objeto é o homem, e mais precisamente os homens no tempo [1], a historiografia era desafiada a enfrentar um novo problema, novas abordagens e novas questões. Eis que surge, no âmbito científico e acadêmico Norte Americano, a environmental history (história ambiental): “como um sujeito, é o estudo de como os seres humanos têm relacionado, com mundo natural através do tempo; como um método, é a aplicação de princípios ecológicos para a história” [2]; “sua principal meta é aprofundar nossa compreensão de como os seres humanos têm sido afetados pelo seu ambiente natural através do tempo e, inversamente, como eles têm afetado o ambiente e com que resultados” [3].
O problema epistemológico da história não pode ficar resumido a um problema intelectual e científico, há algo mais além que, agora mais do que nunca, o historiador será provado e terá que enfrentar: um problema cívico e mesmo moral, o historiador tem que prestar contas [4]. É fundamental, portanto, compreender onde se dá a aplicação prática da história ambiental a fim de identificar e dissolver os gargalos que limitam seu espaço de atuação. Para tanto, a iniciativa terá que partir do próprio homem, aquele que não deixa o passado ser esquecido. O historiador terá que engolir qualquer orgulho acadêmico ou de formação teórica, suplantar qualquer forma de “pré-conceito” na troca do saber entre outros ramos da produção do conhecimento e olhar para o meio ambiente – seu meio ambiente – como sua base de existência e o limite do fim da história.
O objetivo em questão é colocar a natureza de volta aos estudos históricos, condicionalmente, explorar as formas pelas quais o mundo biofísico tem influenciado o curso da história da humanidade e as formas, assim como os porquês, que as pessoas têm transformado o seu meio [5]. Na qualidade de pesquisador elenco pontos que, em nossa conjuntura histórica de emergência para uma tomada de ação, são valorosos para o campo da história ambiental: 1) reconhecer a importância e necessidade de um olhar que caminhe pela interdisciplinaridade, promovendo o envolvimento entre as disciplinas, respeitando e reconhecendo suas respectivas fronteiras, caminhando na direção da interação a fim de ampliar o campo de visão da história. 2) fomentar a crescente interação internacional – tendo em vista que as problemáticas referente a meio ambiente tem que ser assistidas por todos os países – das ciências humanas e sociais através da cooperação entre os centros de pesquisas. 3) aproximar os problemas, os resultados e as soluções aos receptores – que não podem ser vistos como passivos do conhecimento alheio – afim de que possam interagir no processo que depende de todos a fim de uma maior consciência ecológica.
Não é mais contra a natureza que devemos lutar – até século XIX as formas e corpos naturais eram encaradas puramente como empecilhos a ocupação humana – mas, sim em sua defesa. A adoção de uma “paradigma de imunidade humana” (human exemptionalism paradigm) aos fatores da natureza, podem ajudar a explicar o motivo da antipatia das ciências sociais – desde suas origens – quanto a um “despertar ecológico” [6]. Seria, portanto, uma ignorância confinar e limitar as ciências sociais às pesquisas básicas e, um crime, em longo prazo ignorar sua contribuição, em um momento em que uma revolução na sensibilidade humana é tão necessária.
Avançar nas concepções das relações homem/natureza constitui uma tarefa difícil, mas de extrema necessidade. A história ambiental não pode ser encarada, portanto, como um mero movimento ambientalista no ceio da historia, um modismo passageiro e, tão pouco como uma história do ambientalismo. Em uma aplicação prática é denuncia pública? Sim, mas é também um ramo de produção do conhecimento com fundamentais reflexões e embates filosóficos e historiográficos. O que está em jogo não é a sobrevivência da história ou um simples esforço para ampliar o campo de narrativa da historiografia, mas sim, a sobrevivência da humanidade e do planeta.
NOTAS:
[1] BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. Pg. 24.
[2] HUGHES, J. Donald. Ecology and Development as Narrative Themes of World History. Environmental History Review 19:1-16 (Spring 1995) Pan's Travail, London, 1994. Pg. 3
[3] WORSTER, Donald. Ed. The Ends of the Earth: Perspectives on Modern Environmental History. Cambridge; New York: CambridgeUniversity Press, 1988. Pg. 290-291.
[4] BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. Pg. 17.
[5] WORSTER, Donald. "Path Across the Levee”, In: The Wealth of Nature. Environmental History and the Ecological Imagination (Oxford, 1993), p. 20.
[6] DRUMMOND, José Augusto. A história ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisa. Disponível em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/84.pdf. Acesso em 5 agosto de 2009.
BIBLIOGRAFIAS:
BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002.
DRUMMOND, José Augusto. A história ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisa. Disponível em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/84.pdf. Acesso em 5 agosto de 2009.
HUGHES, J. Donald. Ecology and Development as Narrative Themes of World History. Environmental History Review 19:1-16 (Spring 1995) Pan's Travail, London, 1994.
WORSTER, Donald. Ed. The Ends of the Earth: Perspectives on Modern Environmental History. Cambridge; New York: CambridgeUniversity Press, 1988.
WORSTER, Donald. "Path Across the Levee”, In: The Wealth of Nature. Environmental History and the Ecological Imagination (Oxford, 1993).
Você também pode ter acesso a este artigo na Rede Brasileira de História Ambiental (RBHA).
domingo, 23 de agosto de 2009
O Reino das Florestas

Na maioria dos países, a defesa da natureza é fenômeno recente. No Brasil, vem de longa data. Desde o século XVI, as Ordenações Manuelinas e Filipinas estabeleceram regras e limites para exploração das terras. Havia listas de árvores protegidas por lei, o que deu origem à expressão madeira-de-lei. O Regimento do Pau Brasil, de 1600, estabeleceu o direito de uso sobre as árvores e não sobre as terras. Consideradas reservas florestais da Coroa, não podiam ser destinadas à agricultura. Essa legislação garantiu a manutenção sustentável das florestas de pau-brasil até 1875, quando entrou no mercado a anilina. Ao contrário do que muitos pensam, a exploração racional do pau-brasil manteve boa parte da Mata Atlântica até o final do século XIX e não foi a causa do seu desmatamento, fato bem posterior.
Em 1760, um alvará de dom José I protegeu os manguezais. Em 1797, uma série de cartas régias consolidou as leis ambientais: pertencia à Coroa toda mata à borda da costa, de rio que desembocasse no mar ou que permitisse a passagem de jangadas transportadoras de madeiras. A criação dos Juízes Conservadores, aos quais coube aplicar as penas previstas na lei, foi outro marco em favor das florestas. E surgiu o Regimento de Cortes de Madeiras com regras rigorosas.
Em 1808, d. João VI criou o Real Horto Botânico do Rio de Janeiro, com mais de 2.500 ha, hoje republicanamente reduzido a 137 ha. Em 1809, ele deu liberdade aos escravos que denunciassem contrabandistas de pau-brasil. Em 1830, o total desmatado no Brasil era inferior a 30 mil km2. Hoje corta-se mais do que isso a cada dois anos. Em 1844, o ministro Almeida Torres propôs desapropriações e plantios de árvores para salvar os mananciais do Rio de Janeiro. Em 1861, por decreto de d. Pedro II, foi criada (e plantada) a Floresta da Tijuca. A política florestal da Coroa portuguesa e brasileira logrou manter as florestas preservadas até o final do século XIX. O desmatamento brasileiro é fenômeno do século XX. Em São Paulo, Santa Catarina e Paraná, a marcha para o Oeste trouxe grandes desmatamentos. As matas de araucárias foram entregues pela República aos construtores anglo-americanos de ferrovias, com as terras adjacentes.
Na Amazônia, a maior ocupação ocorreu na segunda metade do século XX. Há 30 anos, o desmatamento anual varia de 15 a 20 mil km2, com picos de 29 mil e 26 mil km2 em 1995 e 2003. Nos últimos dois anos, passou a 11 mil km2, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O desmatamento brasileiro não produziu desertos. Como na Europa, as florestas cederam lugar à agricultura moderna e competitiva, à pecuária, às florestas plantadas e às cidades. O Brasil é um líder agrícola mundial e não precisa derrubar uma árvore para dobrar sua produção. O Brasil é um dos países que mais mantém sua cobertura florestal. Com invejáveis 69,4% de suas florestas primitivas, o Brasil – verdadeiro reino das florestas – tem
grande autoridade para tratar desse tema face às críticas dos campeões do desmatamento mundial.
Evaristo Eduardo de Miranda é doutor em ecologia, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, autor do livro “Quando o Amazonas corria para o Pacífico” (Ed. Vozes) e diretor de Instituto Ciência e Fé (
mir@cnpm.embrapa.br
This e-mail address is being protected from spambots, you need JavaScript enabled to view it
). Disponível em: http://www.historiaambiental.org/. Acesso em 23 de agosto de 2009.
