sexta-feira, 2 de julho de 2010

Por uma história ambiental: A natureza de volta aos braços do homem

Douglas Barraqui – Pesquisador em História Ambiental (UFES)

Resumo: Adentramos o século XXI em meio a uma realidade dramática e vertiginosa, a de uma devastação ambiental em proporções catastróficas. O presente artigo vem apresentar a história ambiental – sua origem, métodos, conceitos, temas e fontes –; traçar um panorama de como ela está sendo feita no Brasil e; enquanto disciplina produtora do conhecimento histórico, destacar sua importância como uma ferramenta fundamental e necessária para trazer a natureza de volta aos braços do homem, tanto em termos de formação de uma consciência ecológica quanto em termos de tomada de ação propriamente dita. Haja vista que, fazemos parte de uma grande “aldeia humana” que esta interligada, incondicionalmente, ao destino do planeta e onde os problemas as soluções, bem como, o agir, são de interesse todos. O objetivo da história ambiental, que vai além dos muros das universidades, é fazer o homem emocionar-se com a natureza, superando assim o distanciamento – a dicotomia – que existe entre ambos.

Palavras Chaves: História ambiental / Meio ambiente / Consciência ecológica

Abstract: we enter the twenty-first century amid a tragic and giddy reality, the environmental devastation of a catastrophic proportions. This paper presents the environmental history - its origins, methods, concepts, themes and sources -; examines how it is being made in Brazil and, as a discipline producer of historical knowledge, highlight its importance as a fundamental and necessary tool for bringing nature back into the arms of man, both in terms of formation of ecological awareness and take action itself. Considering that we live in a large “village human” that are interconnected, unconditionally, the fate of the planet where the problems and solutions, as well as the actions, are of interest to all. The goal of Environmental History, which goes beyond the walls of universities, is to excite the man with nature, thus exceeding the distance - a dichotomy - that is between them.

Keywords: Environmental history / nature / Ecological awareness


Primeiras Considerações

“Estamos diante de um momento crítico na história da terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir a diante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.”1 (carta da terra, maio de 2000)

Quando o homem encontrou o tempo geológico da terra, calculada em aproximadamente 4,5 bilhões de anos, 2 também descobriu que, dentro do grande livro da vida do planeta, a cultura humana se fazia na última página de uma pequena frase ao fim de uma nota de rodapé 3 que, aos olhos do mais fervoroso “homo ambiental”, aparece como uma idéia desencontrada e destoante de toda a compilação.

Adentramos o século XXI em meio a uma realidade ecológica, diagnosticada empiricamente, que como nenhum outro momento da história, solicita mudanças urgentes. Contemporâneas desse impasse civilizatório, as ciências humanas são desafiadas, em vários aspectos, a provar seu valor em meio a uma forte demanda emergencial por eficiência. Eis, então, a história ambiental:

“[..] como um sujeito, é o estudo de como os seres humanos têm se relacionado, com o mundo natural através do tempo; como um método, é a aplicação de princípios ecológicos para a história”.4 “Sua principal meta é aprofundar nossa compreensão de como os seres humanos têm sido afetado pelo seu ambiente natural através do tempo e, inversamente, como eles têm afetado o ambiente e com que resultados.”5

A história ambiental, como campo da produção do conhecimento histórico, visa romper com a dicotomia homem/natureza e retirar as questões ambientais de seu gueto colocando-as dentro da discussão historiográfica, buscando um novo paradigma, aproximando os problemas, bem como os resultados e as soluções, aos receptores. O historiador ambiental não pode se dar ao luxo de fazer dos problemas epistemológicos da história um mero problema intelectual e científico. Há algo muito mais além, que rompe com os muros das universidades, que, agora mais do que nunca, o historiador será provado e terá que enfrentar, um problema cívico e mesmo moral, o historiador tem uma responsabilidade: terá que “prestar contas”.6

As origens

Seria do vapor da nova história – surgida na década de 1930, essa nova história é interdisciplinar, totalizante, globalizante, é uma “história problema” em oposição à historiografia tradicional, a velha história política e a visão rankiana factualista – que a história ambiental ganharia propulsão. Os próprios mentores da “École des Annales” Marc Bloch, Lucien Febvre e, bem como, Fernand Braudel, “disciple” de Febvre, fizeram importantes caminhadas dentro do que viria a se convencionar como história ambiental: Bloch, com os estudos sobre a vida rural na França; Febvre, com textos sobre geografia social; e Braudel com a concepção de que o ambiente molda o homem – uma história vista do ângulo superior da natureza –, com destaque para a sua obra sobre o Mediterrâneo. 7 Todavia, viria a ser Aldo Leopold, biólogo e conservacionista, quem lançaria as bases da chamada “ética Ecológica” com o livro, publicado postumamente em 1949, A Sand Country Almanac (na edição em português: Pensar como uma Montanha).

Leopold estudou como os fatores de caráter ambiental influenciaram de forma incisiva na disputa pelas terras do Kentucky – conflito travado entre comerciantes franceses, ingleses, colonos norte-americanos e nativos inserido na ótica da expansão para o oeste americano. Os historiadores, por sua vez, demorariam a ser tocados pela “ética ecológica” de Leopold e em, compreender a tão importante contribuição que a aliança entre história e ecologia poderia dar para a construção do conhecimento histórico. 8

A celeuma sobre meio ambiente tomaria conta das agendas políticas de diversos países a partir das décadas de 1960/1970. Patrocinadas pelas Nações Unidas, ocorreram grandes conferências internacionais envolvendo a temática “meio ambiente”: iniciando-se pela conferência O Homem e a Biosfera, em 1972, em Estocolmo; passando pela Eco-92, no Rio de Janeiro; a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2002, na África do Sul, e, o que para muitos viria a ser a mais relevante tomada humana com relação a seu meio natural, o Protocolo de Quioto, originado da reunião de 1997, em Quioto, Japão, que entrou em vigor somente em 2005. Portanto, como se pode ver, o interesse pelo ambiente natural e as preocupações com as relações entre o homem e as outras espécies costumam ser vistas como fenômenos recentes. Alguns apontam para a atitude do homem frente à natureza tendo se modificado, imperceptivelmente, nos últimos cem anos, enquanto outros observadores a denominam como “a mais importante revolução na sensibilidade [humana] desde a Segunda Guerra Mundial”. 9

Foi em meio a essa dita “revolução da sensibilidade”, visível pelas sucessivas conferências sobre crise ambiental global e pela efervescência dos movimentos de cunho ambientalista que a história ambiental, paulatinamente, ganharia espaço. Nasceu, portanto, de um objetivo moral, com um compromisso político, amadureceu nas universidades e, hoje, é desafiada a ultrapassar seus muros.

Em 1970, na Universidade da Califórnia (Santa Barbara), foi criado o primeiro curso de História Ambiental. Igualmente foram fundamentais, a fim de delimitar e aparar as arestas do novo campo, os estudos de Roderick Nash, The State of environmental history 10 (melhor tradução para o português: A Situação da História Ambiental), e mais recentemente, Richard White traçando o desenvolvimento da história ambiental 11 – reconhecendo o trabalho de Nash e de Samuel P. Hays.12 Os Annales, Em 1974, lançam a revista, histoire et environmement, dedicada especialmente a temática da história ambiental. Em 1976, nasceria a Sociedade Americana de História Ambiental, seguida da Sociedade Europeia de História Ambiental 13 e a revista Environmental Review. Todavia, seria em 1990, na mesa redonda organizada pelo Jornal Americano de História, que viria o reconhecimento definitivo desse novo campo.14

José Augusto Drummond, um dos maiores nomes da história ambienta no Brasil, aponta que as ciências sociais por muito tempo, desde a sua origem, acabaram por adotar um “paradigma da imunidade humana” (human exemptionalism paradigm) aos fatos naturais. 15 Tal conjectura fez uma ciência social desintegrada dos fatos ecológicos. Essa forte tendência em pensar a natureza em oposição ao homem ou a cultura vem desde o final do século XVIII e, a esse pensamento de separação, muito iriam contribuir o idealismo e o romantismo alemão do século XIX, que forçaram uma absoluto distanciamento entre cultura e natureza.16 Essa visão acabou por envenenar as ciências sociais, forçando a uma dissociação homem/natureza, sociedade/natureza e cultura/natureza. O papel do historiador ambiental, então, seria romper com essa dicotomia.

A saber sobre: metodologia, temas e fontes

Sob a ótica metodológica, Donald Worster, professor da Universidade de Kansas, destaca três pontos em que a história ambiental se concretiza, ou três questões que ela enfrenta: um primeiro que trata do entendimento da natureza propriamente dito; um segundo que trata das relações entre o domínio sócio-econômico e o ambiente; e por fim, a análise da interação mais intangível e exclusivamente humana.17

A primeira constitui-se de estudos a fim de compreender como a natureza se organizou e funcionou no passado, levando em conta o físico, o biológico e o natural. O objetivo é poder reconstruir a paisagem do passado, a fim de fazer o historiador saber como a dinâmica natural funcionava antes da presença humana. Sem esse prévio conhecimento a história ambiental estará fadada a perder seu embasamento e sua coerência. Logo vem a necessidade de estreitar laços com a zoologia, botânica, ecologia, entre outros, a fim de fomentar um estudo primeiro e básico. Por conseguinte, exige um trabalho de cunho interdisciplinar – trabalho esse que os geógrafos físicos estão bastante acostumados. 18 Na verdade, o historiador ambiental, sistematicamente, depende das ciências naturais e, incondicionalmente, terá que aprender a falar “novas línguas” que serão instrumentos indispensáveis para a reconstrução do passado.

No segundo ponto, que tange a interação entre domínio sócio-econômico e meio natural, é aquele em que o historiador ambiental terá que investigar as ferramentas de trabalho, as relações sociais originadas desse trabalho, as instituições e as decisões de cunho político que de forma direta ou indireta afetam o meio. Este nível, portanto, se presta a analisar a relação homem e meio natural na reciprocidade de impactos: o historiador ambiental buscará entender o papel da natureza na modelagem dos métodos produtivos e, ao contrário, que impactos esses métodos causaram na natureza. Um ponto fundamental, a saber, é que mesmo sendo o homem o criador da cultura – um dos fatos que nos distingue dos demais seres vivos – não se deve desprezar que, em algum grau, a cultura humana é um reflexo do meio natural.

Por fim, a interação mais intangível e exclusivamente humana, mental ou intelectual. Aqui as percepções, os valores éticos, as leis, os mitos, o folclore, a literatura, a religião, a ciência, bem como outras estruturações humanas significativas, passam a ser vistas como parte de um diálogo entre homem/natureza e/ou sociedade/natureza e que, terão que ser incluídas no desenvolvimento da história ambiental.

Ainda percorrendo o viés metodológico, José Augusto Drummond traça algumas características metodológicas, analíticas e as fontes da história ambiental. 19 A primeira, que concerne em limitar um espaço ou um corpo para ser estudado: um vale de um rio, uma ilha, um trecho de terras florestais, um litoral, uma determinada área de ocorrência de um recurso natural de alto valor comercial. As análises, portanto, focalizam uma região com algum grau de homogeneidade ou identidade natural. Conclui-se ainda que, dando ênfase em áreas específicas, a historiografia ambiental se identificaria também com a história regional.

A segunda característica diz respeito a uma interdisciplinaridade, aqui “a história ambiental traz uma série de novos personagens ao palco da história”: 20 um diálogo sistemático com quase todas as ciências naturais sendo aplicáveis nos quadros físicos e ecológicos das regiões estudadas. A geologia, geomorfologia, meteorologia, biologia vegetal, zoologia, ecologia, agronomia, a engenharia florestal a geografia, são alguns exemplos. Todas, em até certo grau, podem contribuir. Os caminhos da pesquisa em história ambiental não podem, todavia, ficar resumidos a meras visitas protocoladas as ciências naturais. Além de “aliadas”, as ciências naturais podem também ser parte do próprio objeto de estudo, um intercâmbio que para a história ambiental, só pode gerar bons frutos.

Uma terceira característica seria a exploração das interações entre o quadro de recursos naturais utilizáveis e não utilizáveis e, os diferentes estilos civilizatórios das sociedades humanas. É fundamental destacar que a natureza oferece ao homem um conjunto flexível e, ao mesmo tempo, limitado de possibilidades a fim de garantir sua sobrevivência. 21 A geografia humana e a antropologia cultural podem fornecer inúmeros conceitos e enfoques úteis a fim de se estudar o papel da cultura nos usos dos recursos naturais. Ignorar a influência dos quadros naturais na história e na cultura das sociedades humana seria uma tolice demasiada. Assim como é verdade que o homem não pode ser separado da ordem ecológica, também é verdade que na reconstrução historiográfica do meio ambiente, o homem, na proporção de sua existência, terá que ser incluído. Os seres humanos não são imunes à influência de seu meio e, o inverso também é verdadeiro.

Uma última característica da história ambiental elencada por Drummond é o trabalho de campo propriamente dito. Existe a necessidade de que os historiadores ambientais tenham contato direto com os locais a serem estudos. A paisagem em si, com todas as suas singularidades e formas, se transforma em um documento que precisa ser lido adequadamente. Trata-se de uma leitura de uma história das paisagens. Como salienta o historiador, Francisco Carlos Teixeira da Silva: “trata-se de uma visão de conjunto, do enlace de múltiplas variáveis, em uma duração sempre longa. Impõe-se para tal uma abordagem holística, de conjunto, uma síntese para além das histórias particulares”. 24 Ao analisar historiograficamente uma paisagem o historiador deve considerar que por ser um sistema relativamente aberto está submetido a várias interferências tanto naturais quanto humanas.

A história ambiental em “terras tupiniquins”

Um país com proporções paquidérmicas – o maior da América do Sul, terceiro maior do continente americano, quinto maior do mundo e com a quinta maior população da terra. Em quase sua totalidade situado, territorialmente, na zona intertropical do planeta – é sabido que a vida se faz mais presente nas áreas mais quentes do planeta – o que faz do Brasil possuidor de uma “megabiodiversidade”. Retentor de uma gama de ecossistemas, biomas, processos ecológicos e, consequente inúmeras paisagens naturais. “Com invejáveis 69,4% de suas florestas primitivas [intactas], o Brasil é um verdadeiro reino das florestas”. 25

Assim, com uma rica biodiversidade, paisagens naturais além do imaginário e com uma população que possui um vasto enredo cultural, o Brasil estabelece todo um conjunto de condições que, quando assistidas no escopo da interação entre a sociedade humana e natureza, faz do país um objeto singular e privilegiado para o historiador ambiental. Um verdadeiro documento a céu aberto. Sobre a ótica de valorização da rica potencialidade dos recursos naturais do Brasil, Drummond assinala:

“O Brasil é, evidentemente, uma das principais fontes potenciais de materiais genéticos brutos e poderá também se converter num centro de pesquisas e tecnologia para a sua transformação e aplicação”. 26

Todavia, os alertas para uma realidade atroz, a de devastação, estão por toda a parte: mais de 90% das unidades de conservação da Amazônia sofreram múltiplas queimadas nos últimos sete anos, segundo pesquisa de Alberto Setzer, do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe). “Dezenas de unidades de conservação estão pegando fogo todos os dias, e quase nada acontece”. 27 As queimadas e desmatamentos colocam o Brasil entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do planeta, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Sustentável (IDS) de 2008, divulgado pelo IBGE. Somente as queimadas correspondem a 75% de todo CO2 lançado na atmosfera brasileira. 28 Em cinco anos aumentou a incidência de poluição da água nos municípios, de 38,1% em 2002 para 41,7 % em 2008; poluição do ar de 22,0% em 2002 para 22,2% em 2008; assoreamento dos corpos d’água de 52,9% em 2002 para 53,0% em 2008 e, degradação das áreas legalmente protegidas de 20,2% em 2002 para 21,6% em 2008. 29

As problemáticas ambientais brasileira afetam, direta e indiretamente, a qualidade de vida de sua população e, ao mesmo tempo, compõe uma mescla de situações com enorme potencial para a compreensão crítica da sociedade. Assim, as questões de cunho ambiental acabam por constituírem uma oportunidade de análise dos diversos processos sociais do Brasil. O que de fato ocorre na produção historiográfica ambiental brasileira, que acompanha uma tendência latino-americana, é a grande preocupação com os aspectos sociais, diferentemente dos historiadores norte-americanos, que como avalia Guillermo Castro Herrera, gerente de programas da Fundación Ciudad del Saber, do Panamá:

“[...]os Estados Unidos se preocupa mais com a destruição da natureza, mas na América Latina o enfoque maior dos estudos é a destruição da cultura e empobrecimento”. [...] “Na América Latina a visão é mais global, com uma noção mais clara de que fazemos parte da humanidade. Nos EUA e Inglaterra, a perspectiva é bem mais local”. 30

Herrera aponta para duas questões primordiais – Pecados também cometidos por historiadores brasileiros, mas que podem ser perdoados se corrigidos – para a construção de uma história ambiental mais aprimorada em termos de produção científica: a falta de vínculo dos intelectuais com os movimentos ambientalistas, para assistirem de perto a realidade. “se a história ambiental não conversar com o movimento ambiental, não tem com quem conversar”. A outra questão é a falta de diálogo entre as ciências naturais e sociais. “e preciso criar um espaço integrado”, defende Herrera. O que acaba acontecendo é que, mesmo possuindo as condições pré-necessárias – uma gama de ecossistemas, biomas, processos ecológicos e, conseqüentemente, inúmeras paisagens naturais – para o fomento de uma história ambiental crítica e analítica em termos de natureza biofísica, o historiador ambiental de países de língua inglesa acaba por estar mais apito para desvendar a natureza biofísica do que os cientistas sociais em “terras tupiniquins”, que estão muito mais propensos para uma história ambiental em dimensões propriamente sociais. Isso não significa, todavia, que os historiadores brasileiros não produzem uma história ambiental de qualidade.

Drummond aponta para uma falta de “legitimidade” da disciplina entre os historiadores e profissionais das demais ciências sociais:

“Sinto que a comunidade de cientistas sociais e afins precisa estudar melhor e incorporar analiticamente as variáveis biofísicas, superando um receio infundado de sucumbir ao ‘determinismo’ naturalista, trilhando os caminhos abertos por alguns clássicos da nossa disciplina, como Caio Prado Junior, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro e Sergio Buarque de Holanda. Esses caminhos ficaram abandonados por muito tempo e precisam ser desbravados ‘a facão’ para dar acesso à ‘fronteira’ ainda inexplorada dos estudos sócio-ambientais.” 31

Concordo com Drummond e com Herrera nos aspectos de suas respectivas considerações e, como outrora já havia elencado, 32 aponto para um tema por eles não mencionado, que seria a aproximação dos receptores – que não podem ser vistos como passivos ao conhecimento alheio – aos problemas, os resultados bem como as soluções, a afim de que possam interagir no processo que depende de todos a fim de uma maior consciência ecológica.

Todavia, mesmo que em até certo ponto falte maturidade, nos últimos dez anos a história ambiental made in Brazil rendeu bons frutos, demonstrando um destacado desenvolvimento. Isso se deve, em grande parte, à qualidade dos trabalhos produzidos e às nossas universidades que possuem um papel ímpar na produção científica do país. Resumindo, embora não esteja consolidada, a história ambiental está em solo fértil e está, certamente, em crescimento. Isso ficou demonstrado no primeiro encontro acadêmico de história ambiental do Brasil, que ocorreu em maio de 2008, em Belo Horizonte, organizado por Regina Horta Duarte, uma lider da disciplina no país e, no IV Simpósio da Sociedade Latino-Americana e Caribenha de História Ambiental (SOLCHA), realizado em maio de 2009 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Por uma revolução na sensibilidade humana

Tendo eu apresentado a história ambiental – origem, conceito, metodologia, temas e fontes –, bem como, demonstrado como essa disciplina tem no Brasil dado, mesmo que tímidos, passos importantes e fundamentais na produção do conhecimento histórico; aponto agora para história ambiental como uma ferramenta para o exercício da cidadania, rompendo com a dicotomia sociedade/natureza, ligando emocionalmente homem e meio natural, onde a tomada de consciência ecológica esteja ligado de modo essencial à própria ação.

Hoje nós podemos ver o mundo por inteiro, não só porque nossos satélites com suas poderosas lentes são capazes de nos dar imagens da terra em tempo real, mas, porque entramos no século XXI em um contexto dramático e vertiginoso de problemas ambientais. Problemáticas que não são somente da Alemanha, ou do Brasil e/ou da China. E acaba que nenhum país hoje tem uma chave para a solução dos problemas ambientais do mundo. “A solução da Alemanha ou do Brasil não está mais apenas no Brasil ou na Alemanha”, 33 pois, vivemos em uma grande “aldeia humana” que esta interligada, incondicionalmente, ao destino do planeta.

Há, portanto a necessidade de uma consciência ecológica planetária que em tempos de globalização e em meio à velocidade das informações, parece não ser um problema. Essa tomada de valor se dá por uma compreensão racional da importância da natureza para a manutenção da vida, principalmente humana. Estar conscientizado, todavia, não significa estar engajado, ou uma tomada de ação. É necessário, como bem salientou Rubert Sheldrake: “reconhecer a realidade de nossas experiências diretas da natureza na região silvestre, nos campos, nas montanhas, à beira-mar, ou onde quer que tenhamos sentido em conexão com o imenso mundo vivo.” 34 “Nós só lutamos pelo que amamos e só amamos o que conhecemos”, 35 bem destacou Kleber Galvêas, artista plástico.

Aqui a história ambiental far-se-ia a existir, a ter razão: por intermédio da produção do conhecimento histórico, fazer a natureza ser conhecida. Tal disciplina tem a incumbência de aproximar o homem da natureza, de emocioná-lo com a natureza e fazê-lo sentir-se parte dela. Assim, a história ambiental quando capta um sentido de educação ambiental, de consciência ecológica e de tomada de militância, quer trazer a natureza de volta para os braços do homem.

O homem, nos diversos momentos históricos, foi descrito como “homo animal político” (Aristóteles); “animal que ri” (Thomas Willis); “animal que fabrica seus utensílios” (Benjamin Franklin); “animal religioso” (Edmundo Burke); e um “animal que cozinha” (James Boswell, antecipando Lévi-Strauss). 36 A história ambiental pretende um “homo ambientalista” por excelência da aproximação.

A história ambiental quer superar o afastamento entre seres humanos em sociedade e a natureza – que produz a degradação de ambos. Uma boa pesquisa em história ambiental é aquela que rompe com os muros das universidades e fala com os Doutores, os estudantes e os leigos em mesmo tom. É aquela pesquisa que, por intermédio do conhecimento historiográfico, consegue fazer o receptor vivenciar sua relação com o meio natural, tanto em dimensões racionais quanto emocionais. “[...] não é apenas compreender, mas também sentir-se e agir se integrado a esta relação.” 37 Os historiadores ambientais

“[...] devem buscar compreender mais do que ninguém que o mundo não está dividido em preto e branco [conflito dualista]. Há apenas tons de cinza e é a tarefa do historiador ambiental explicar estas sombras e dar sentido a eles”. 38

Se o objetivo da história é o homem, mais precisamente os homens no tempo, 39 afirmo que os homens estão para o tempo assim como estão para o seu meio natural. O que os torna, deste modo, indissociáveis.

Conclusão

A história ambiental, portanto, não pode ser encarada como um mero movimento de historiadores ambientalista no seio da história, um modismo passageiro que amanhã ou depois será esquecido e tão pouco simplesmente como uma história do ambientalismo. É uma denuncia pública? Sim, mas é também um ramo de produção do conhecimento com fundamentais reflexões e embates filosóficos e historiográficos.

Sua real originalidade, não está no nome – história ambiental – está em seu ideário de colocar a sociedade na natureza e no equilíbrio com que busca a interação, a influência mutua entre sociedade e natureza no tempo.

O que está em jogo não é a sobrevivência da história ou um simples esforço para ampliar o campo de narrativa da historiografia, mas sim, a sobrevivência da humanidade e do planeta. Já não é mais contra a natureza que devemos lutar – em outros tempos a natureza era sinônimo de entrave e obstáculo para o progresso sendo, deste modo, considerada inimiga – mas sim a seu favor.

Notas:

1. TRIGUEIRO, André. Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação. São Paulo: Globo, 2005. Pg. 228.

2. LOVELOCK, James. As Idades de Gaia. Rio de Janeiro, Campos, 1991.

3. DRUMMOND, José Augusto. A história ambiental: temas fontes e linhas de pesquisa. Disponível em: http://professores.cds.unb.br/drummond/pub/?. Acesso em 12 setembro de 2009.

4. HUGHES, J. Donald. Ecology and Development as Narrative Themes of World History. Environmental History Review 19:1-16 (Spring 1995) Pan's Travail, London, 1994. Pg. 3.

5. WORSTER, Donald. Ed. The Ends of the Earth: Perspectives on modern environmental history. Cambridge; New York: CambridgeUniversity Press, 1988. Pg. 290-291.

6. BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. Pg. 17.

7. BRAUDEL, Fernand. O Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de Filipe II. Lisboa: Martins Fontes, 1983.

8. CATÂO, Leandro pena; SANTOS, Tatiane Conceição. História ambiental a partir do patrimônio urbano ambiental e da prática turística. História Ambiental & Turismo, Vol. 4, nº 01, Maio de 2008.

9. THOMAS, Keith. O homem e o mundo natural: mudanças de atitude em relação às plantas e aos animais (1500-1800). São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Pg. 18.

10. NASH, Roderick. Environmental history. Em Herbert J. Bass, Ed. The state of American history (Chicago, Quadrangle Press, 1970), Pg. 249-260.

11. WHITE, Richard. American environmental history: the development of a new historical field. Pacific Historical Review, 54 (1985), Pg. 297-335.

12. HAYS, Samuel P.Conservation and the gospel of efficiency: the progressive conservation movement, 1890-1920. New York: Atheneum, 1975.

13. Para maiores informações sobre Sociedade Americana de História Ambiental (ASEH), a Sociedade Europeia de História Ambiental (ESEH) visite os respectivos sites: e . Também indico a visita a homepage Environmental History Resourse em ; o site da História Ambiental Latino Americana () e os sites brasileiros da Rede Brasileira de Historia Ambiental e História Ambiental Brasil .

14. Considerada uma das maiores discussões teórica/conceitual sobre a história ambiental, a “A Rouna Table: Environmental History” foi o marco do reconhecimento da disciplina. “A Round Table: Environmental History”, Journal of American History 76.4 (Março 1990), 1087-1147.

15. DRUMMOND, José Augusto. A história ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisas. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Vol. 4 n. 8, 1991, Pg. 179.

16. História das Paisagens. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997, Pg. 204.

17. WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental. Estudos Históricos, Rio de Janeiro. , Vol. 4, n. 8. Pg. 202.

18. DRUMMOND, José Augusto. Devastação e preservação ambiental no Rio de Janeiro. Niterói: EdUFF,1997. Pg. 23.

19. DRUMMOND, José Augusto. A história ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisas. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Vol. 4 n. 8, 1991, Pg. 181-184.

20. OOSTHOEK, K.J.W. Environmental History - Between Science and Philosophy. Disponível em: http://www.eh-resources.org/philosophy.html. Acesso em 21 de setembro de 2009.

21. WORSTER, Donald. Para fazer História Ambiental. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.4, n. 8, 1991, Pg. 206.

22. BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. Pg. 27.

23. WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental. Estudos Históricos, Rio de Janeiro. , Vol. 4, n. 8. Pg. 201.

24. SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. História das Paisagens. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997, p. 203.

25. MIRANDA, Evaristo Eduardo de. O Reino das florestas. Rede Brasileira de História Ambiental. Disponível em: . Acesso em 23 de setembro de 2009.

26. DRUMMOND, José Augusto. Por que estudar história ambiental do Brasil? – ensaio temático. Varias Histórias, nº 26 Janeiro, 2002, Pg. 28.

27. SETZER, Alberto. Queimadas atingem 90% das reservas na Amazônia-INPE. Estadão de São Paulo. Disponível em: . Acesso em 23 de setembro de 2009.

28. SUCURSAL, Denise Paro. Poluição no ar, na terra e na água. Gazeta do Povo, Disponível em: < id="773054">. Acesso em 23 de setembro de 2009.

29. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais de 90% dos municípios enfrentam problemas ambientais. Perfil dos municípios em 2008; 12 dezembro de 2008. Disponível em: . Acesso em 23 de setembro de 2009.

30. DINIZ, Laura. Viés social marca história ambiental na A.L. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimeto (PNUD). Disponível em < id01="413&lay=">. Acesso em 23 de setembro de 2009.

31. DRUMMOND, José Augusto. Por que estudar história ambiental do Brasil? – ensaio temático. Várias Histórias, nº 26 Janeiro, 2002, Pg. 30.

32. A respeito das minhas considerações, de outrora, sobre história ambiental ver: BARRAQUI, Douglas. Da história ambiental à consciência ecológica. Rede Brasileira de História Ambiental (RBHA). Disponível em:

article&id=208:douglas-barraqui&catid=94:nacionais&Itemid=291>. Acesso em 23 de setembro de 2009.

33. BOFF, Leonardo. Nova era: a civilização planetária. São Paulo: Ática, 1994, Pg. 31.

34. SHELDRAKE, Rubert. O renascimento da natureza. São Paulo: Cultrix, 1993, Pg. 211.

35. GALVÊAS, Homero Bonadiman. A História da Barra do Jucu. Vitória E.S. 2005, Pg. 135.

36. THOMAS, Keith. O homem e o mundo natural: mudanças de atitude em relação as plantas e aos animais (1500-1800). São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Pg. 37.

37. GUIMARÃES, Mauro. A dimensão ambiental na educação. Campinas: Papirus, 1995, Pg. 39.

38. OOSTHOEK, K.J.W. Environmental History - Between Science and Philosophy. Disponível em: http://www.eh-resources.org/philosophy.html. Acesso em 26 de setembro de 2009.

39. BLOCH, Marc. Introdução a História. Europa-América, Sintra, 1976, Pg. 89.

Bibliografia:

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Um comentário:

  1. Marketing para Unidades de Conservação da Natureza
    Primeiras Linhas
    Autor: Julis Orácio Felipe
    Sinopse:
    AS unidades de conservação da natureza são importantes espaços protegidos com a finalidade de resguardar atributos ambientais da exploração indiscriminada e contribuir para o desenvolvimento sustentável. Entretanto, para mantê-las é preciso a criação de mecanismos que as desmistifiquem para a sociedade em geral, que as entende como locais onde nada pode ser feito. Na realidade, se bem direcionadas, podem contribuir não somente para o desenvolvimento sustentável como também para o desenvolvimento social e econômico, principalmente da comunidade de entorno. Essa obra demonstra como pode ser feito sem corromper o sistema jurídico criado para as unidades de conservação, dando aos leitores noções sobre marketing voltado para essas instituições.

    www.clubedosautores.com.br

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